Edison Távora

Acordeonista e pianista nascido em Pacatuba (CE)  em 1940 e falecido em 1999, Edison Távora participou do “Pessoal do Ceará”, tocou em discos daquela turma e viveu a música nas noites de São Paulo e Fortaleza. Deixou registro de sua obra em um CD e muitas boas recordações aos amigos músicos, acostumados ao perfeccionismo harmônico dos arranjos do “professor”.

Músico extraordinário, figura de bastidores, arranjador perfeccionista, sempre disposto a compartilhar preciosas dicas com os colegas. 

É assim que alguns dos protagonistas da música cearense recordam Edison Távora, pianista e acordeonista que integrou a primeira geração do “Pessoal do Ceará”, tocou nos álbuns “Chão Sagrado”, de Téti e Rodger Rogério, e “Berro”, de Ednardo. E construiu carreira, principalmente como instrumentista, na noite de São Paulo e Fortaleza. 

Um amante do cuidado com a harmonia e da descoberta de possibilidades sonoras para o acordeom, além dos gêneros típicos da música nordestina.

Nascido em Pacatuba, aos 20 dias de março de 1940, como o segundo filho do casal Agenor Silveira Távora e Alice Santos Távora, Raymundo Edison Santos Távora formou-se músico licenciado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

na década de 70, após ter passado pelo Conservatório Alberto Nepomuceno. Na Fortaleza de “tempos idos”, referência a uma de suas composições, tocou em bandas de baile, como os grupos de Ivan e Ivanildo. 

Integrou, ainda nos anos 60, o grupo “Os Bossa Norte”, criado pelo cantor Emanuel Barreto. 

A concepção harmônica diferenciada, com acordes dissonantes e frases melódicas jazzísticas sopradas pelos ventos da bossa nova, foram uma influência que mais tarde desembocaria no esmero que o pianista e acordeonista gostava de dedicar às harmonias.

“Os Bossa Norte eram um conjunto maravilhoso, de bossa e jazz”, assinala a cantora Téti, então namorada do cantor e compositor Rodger Rogério, também integrante do grupo.

"A gente começou a tocar, ele tocando acordeom, eu no baixo acústico, o Dodô Vieira, que nunca vi guitarrista melhor. O cantor era o Barreto, crooner profissional, cantava muito. Esse tempo foi uma escola musical pra mim", conta Rodger.

 “Eu explorava muito o Edison. As outras pessoas, eu encontrava nos ensaios e na hora de tocar. Mas o Edison era quase todo dia, tocando, explorando ele”, acrescenta, ressaltando ter sido um grande incentivador para que o acordeonista Edison se iniciasse no piano. “A gente tocava muito no Ideal Clube, fazia as tertúlias. Tinha um piano lá, de gabinete, e eu ficava dizendo pra ele: ´Pô, pega o piano na hora do samba-canção´. Ele ficava fazendo só a mão direita, e na mão esquerda só o baixo. Aí começava a se curvar no lado esquerdo, pra poder ficar o teclado do piano parecendo o acordeom”, recorda Rodger, entre risos.

Ouça "Expressões digitais" (1999) de Edison Távora

Todo o conteúdo aqui reproduzido tem como fonte a publicação do “Blog do Crato” de Dihelson Mendonça, publicado em 2007.

Confira a  publicação aqui.